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SPW - Obesidade de origem genética

SPW - Obesidade de origem genética

                                                Síndrome de Prader-Willi

A síndrome de Prader-Willi (SPW) é considerada a causa mais frequente de obesidade de origem genética, foi inicialmente descrita em 1956, e caracteriza-se por um distúrbio genético complexo que compromete o apetite, o crescimento, o metabolismo, a função cognitiva e o comportamento. Atualmente, estima-se uma prevalência de 1 a 10.000 até 1 a 22.000 (Lee PD et al, 2002).

Etiologia

Aproximadamente 75% dos portadores da SPW apresentam uma deleção intersticial, de novo, no braço longo do cromossomo 15, herdado do pai, na região 15q11-q13. Nos outros 25% dos casos, há ausência da informação genética paterna, devido à, principalmente, dissomia uniparental materna* (UPD), ou seja, a criança herdou ambos os cromossomos 15 da mãe; e em poucos casos ao defeito de imprinting genômico** (IG) durante a gametogênese. Há ainda relato de raros casos de outros mecanismos genéticos, como translocações na região 15q11-q13.

A ocorrência da SPW é esporádica, mas o pai pode herdar o cromossomo 15 materno com defeito de IG e passar este defeito para sua prole, nestes casos há 50% de risco de recorrência da SPW. 

Características Clínicas

Clinicamente observam-se duas fases distintas, sendo a primeira nos primeiros 18 a 24 meses de vida, e a segunda após esta idade.

A primeira fase é evidente desde o nascimento, quando, apesar de uma gestação sem intercorrências, o bebê apresenta baixo peso ao nascer e, frequentemente, um baixo score de Apgar. Já nos primeiros dias de vida, observa-se hipotonia importante, com hipoatividade e choro fraco, baixa temperatura corporal e hipogonadismo. Devido à hipotonia grave, há dificuldade para sugar e deglutir, sendo frequente a necessidade de sonda nasogástrica para a alimentação adequada.

Ao final do primeiro ano de vida, observa-se melhora gradual da hipotonia, a criança fica mais alerta, e começa a conseguir comer sem a necessidade da sonda nasogástrica. Apesar da melhora clínica, inclusive com ganho de peso, mantém-se o atraso do DNPM.

A segunda fase ocorre entre dois e cinco de idade, quando fica evidente a constante sensação de fome e um interesse exagerado por comida, e a criança evolui com rápido ganho de peso, chegando à obesidade. Nesta época o atraso do DNPM fica mais evidente.

Associa-se ao quadro a baixa estatura e alterações hormonais com atraso no desenvolvimento sexual.

Os portadores da SPW evoluem com dificuldades de aprendizagem e de linguagem, com retardo mental leve a moderado, apresentam instabilidade emocional, distúrbios de sono e de comportamento e, uma característica marcante, é a diminuição da sensibilidade à dor, que pode permite lesões frequentes ou a dificuldade de cicatrização da ferida por manipulação da mesma ou trauma recorrente no mesmo local.

Características Físicas

  Testa estreita

  Olhos amendoados

  Estrabismo

  Redução da pigmentação cutânea, com pele mais clara do que o padrão familiar.

  Tamanho reduzido de mãos, pés e genitais.

  Boca pequena com o lábio superior fino e inclinado para baixo nos cantos da boca.

Diagnóstico

As características clínicas pouco específicas para a SPW nos primeiros meses de vida podem ser um desafio para diagnóstico, que provavelmente englobará a experiência de pediatras, endocrinologistas, neurologistas e geneticistas. Com a evolução para a segunda fase, quando há, especialmente, o ganho rápido de peso a suspeita clínica da síndrome é maior, mas somente o teste genético confirmará o diagnóstico da SPW.

Os testes de metilação do DNA conseguem detectar a deleção do cromossomo 15, assim como a UPD e IG, confirmando o diagnóstico da SPW em praticamente 100% das pessoas afetada com PWS.

A região do cromossomo 15 envolvida na SPW é a mesma região responsável pela Síndrome de Angelman (SA), mas na SA a região comprometida está no cromossomo 15 herdado da mãe. As diferenças das síndromes se devem a diferença na expressão gênica, o alelo paterno expressa os genes MKRN3, MAGEL2, NDN, SNURF-SNRPN, C15orf2 e PWRN1; e o alelo materno expressa os genes UBE3A, ATP10A. Ao realizar o exame genético será analisado o padrão de metilação do DNA nesta região do cromossomo 15 para determinar qual o mecanismo genético responsável pelo quadro clínico, em qual alelo, e a probabilidade de risco de recorrência da síndrome, sendo necessária a análise do DNA do paciente e de seus genitores.

Tratamento

Por se tratar de uma desordem genética, não há tratamento específico, porém quanto mais precoce o diagnóstico da SPW, em especial antes da manifestação da obesidade, melhores são os prognósticos em longo prazo para o indivíduo. Será possível a conscientização da família quanto a peculiaridades da síndrome, havendo uma melhora na qualidade de vida dos portadores da SPW.

O acompanhamento clínico do portador da SPW deverá ser realizado por uma equipe multidisciplinar, incluindo endocrinologista, oftalmologista, nutricionista e terapeutas especializados.