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TDAH e a família

TDAH e a família

                                              TDAH E O PAPEL DA FAMÍLIA

O TDAH acomete 3 a 5% da população total, manifestando-se na infância até os sete anos, sendo um dos transtornos infantis mais estudados atualmente. Seus principais sintomas são a falta de atenção, hiperatividade e impulsividade, sendo que podem manifestar-se os três sintomas juntos ou em combinações. Os principais prejuízos são a falta de atenção que prejudicam o aprendizado, a organização e socialização do sujeito, causados pela hiperatividade e impulsividade, que levam a inquietude e comportamentos inapropriados socialmente devido à agitação constante desse indivíduo. Dentre os portadores de TDAH 40% na adolescência terão a remissão dos sintomas, os demais levarão o transtorno para a idade adulta. O TDAH apesar de muito estudado, ainda não tem cura. Estudos apontam para uma causa primária genética ou orgânica, que produzem uma disfunção no sistema nervoso central ou na maturação de suas funções, afetando a recaptação de neurotransmissores responsáveis pela atenção e inibição de atividades motoras. O seu diagnóstico é complexo devendo ser investigado o comportamento do portador em pelo menos três ambientes diferentes para se chegar ao diagnóstico. Além disso, a pesquisa deverá ser acompanhada por médico (neurologista, psiquiatra ou pediatra), que fará a avaliação clínica, psicopedagogos para a apreciação do desenvolvimento cognitivo e psicólogos para pesquisa no desenvolvimento emocional. Um diagnóstico bem feito é necessário para se levantar as áreas a serem conduzidas no tratamento. O comportamento social, acadêmico e familiar do portador de TDAH, causa estresse na família por falta de entendimento que o comportamento não é direcionado a eles, mas um sintoma que o portador não pode controlar sem ajuda profissional. Muitos pais sentem-se fracassados em suas habilidades parentais, responsabilizando-se pela falta de condução e controle do filho, sendo reforçados pela forma como são julgados mal educadores pelas pessoas externas ao núcleo familiar, família estendida e escola.

Pais de portadores de TDAH tendem a isolar-se socialmente ou não levarem o portador de TDAH a reuniões familiares para defenderem-se de comentários e observações desagradáveis. As frustrações associadas à estima baixa podem levar a um quadro depressivo em um dos membros da família, a desgaste no relacionamento conjugal e conflitos na dinâmica familiar. Da mesma forma o portador de TDAH, pode isolar-se socialmente, sentir-se incapaz e frustrado por não conseguir completar tarefas como as outras crianças, podendo gerar agressividade, comportamento desafiador e teimosia, gerando estresse entre ele e as pessoas que o cercam.

A família com um portador de TDAH precisa conhecer bem sobre o transtorno para que possa entender e se comprometer com as direções dadas ao tratamento. A psicoterapia será uma potente ferramenta nesse apoio emocional a criança e sua família, auxiliando no apoio e acolhimento, no entendimento de que o filho não controla seus comportamentos originados por uma disfunção orgânica, não é culpa deles e nem do filho, mas que o filho poderá superar com o apoio da família, mostrando suas potencialidades e formas de compensação, bem como, ajudando-os a se organizar na vida prática, com uma comunicação clara direta e objetiva. O entendimento da família deverá caminhar para a necessidade de que cada membro se fortaleça em suas fragilidades emocionais, conscientizando cada indivíduo do grupo familiar para que busque uma reestruturação da dinâmica familiar.
Pais que têm uma atitude decidida na busca de soluções, tanto no plano profissional como no pessoal, constituem para a criança um suporte importante, pois são responsáveis pelo bom prognóstico do TDAH, dessa forma; independente dos problemas, a família, mais do que ninguém pode contribuir para resgatar o potencial positivo da criança com TDAH. O que deve ficar bem claro é que o TDAH não é culpa de ninguém, não têm culpa os pais, os irmãos, nem a própria pessoa que sofre dele, e isso deve ser aceito por todos, pondo fim à crença de que só é uma desculpa para condutas irresponsáveis ou preguiça.   Aceite que o TDAH é um assunto de família, não de apenas um de seus membros; pois diferentemente de outros problemas médicos, o TDAH afeta a família no seu cotidiano. O fato de todos se sentirem parte do problema fará com que todos se comprometam com a solução.  A estabilidade e confiança no amor dos pais são fundamentais.
A família conscientizando-se do seu papel e contribuição poderá aprender a melhorar o relacionamento do sistema familiar, aprimorando a comunicação, as regras e negociações, bem como as consequências e responsabilidades de cada participante no sistema, entendendo que a crise poderá levar a um movimento satisfatório de crescimento a todo o sistema.